Executivo com atuação em reestruturação empresarial, Valdoir Slapak informa como validar premissas antes de investir

Ida Valdsen
6 Min de leitura
Valdoir Slapak

Antes de aprovar um investimento relevante, como frisa Valdoir Slapak, executivo com atuação em reestruturação empresarial, muitas empresas se apoiam em projeções otimistas sem submeter as premissas que sustentam esses números a um teste crítico mais rigoroso. Decisões estratégicas tomadas sobre premissas frágeis tendem a parecer sólidas no papel, mas se desfazem rapidamente diante da realidade do mercado.

Validar premissas antes de investir não significa desconfiar de toda projeção, mas garantir que cada número relevante tenha uma base defensável antes de comprometer recursos significativos da empresa. Esse cuidado importa ainda mais em investimentos de valor alto ou longa maturação, quando um erro de premissa custa muito mais para corrigir depois. 

Por que premissas otimistas passam despercebidas nas projeções?

Projeções de investimento costumam ser construídas por equipes que têm interesse direto na aprovação do projeto, o que cria um viés natural para premissas mais favoráveis do que a realidade provavelmente sustentará, mesmo sem má-fé por parte de quem elabora os números.

Na interpretação de Valdoir Slapak, esse viés de otimismo tende a se manifestar especialmente em premissas de crescimento de receita e velocidade de adoção de mercado, que raramente são testadas com o mesmo rigor aplicado às premissas de custo, criando uma assimetria que infla o retorno projetado do investimento.

Esse tipo de assimetria costuma passar despercebido justamente porque as premissas mais otimistas são também as mais difíceis de contestar no momento da aprovação, já que dependem de projeções de mercado que só podem ser verdadeiramente testadas depois que o investimento já foi realizado.

Questionar essas premissas antes da aprovação exige disposição para adiar ou reformular um projeto que já gerou expectativa interna, o que explica por que tantas empresas preferem seguir em frente com números otimistas em vez de enfrentar o desconforto de uma revisão crítica.

Como estruturar um processo de validação de premissas?

Um processo estruturado de validação deveria exigir que cada premissa relevante do investimento seja sustentada por uma fonte externa ou por um histórico interno comparável, em vez de aceitar números apoiados apenas na convicção de quem apresenta o projeto.

Valdoir Slapak sinaliza que comparar as premissas do investimento com o desempenho real de projetos anteriores semelhantes é uma das formas mais eficazes de calibrar expectativas, porque revela rapidamente se a empresa tende a superestimar ou subestimar determinados tipos de projeção ao longo do tempo.

Valdoir Slapak
Valdoir Slapak

Um exemplo recorrente aparece em empresas que aprovam expansões comerciais, assumindo velocidades de adoção de mercado que nenhum projeto anterior conseguiu atingir. Confrontar a nova premissa com o histórico real da empresa, antes da aprovação, evita comprometer capital com base em uma expectativa que os próprios dados internos já desmentem.

Esse mesmo cuidado se aplica a premissas de custo, que também podem ser subestimadas quando o time responsável pela proposta tem interesse em apresentar um retorno mais atrativo do que a experiência recente da empresa com projetos semelhantes efetivamente sustenta.

O papel dos dados na redução de vieses de decisão

Decisões estratégicas de investimento tomadas apenas com base em convicção, sem o contraponto de dados históricos e de mercado, tendem a repetir os mesmos vieses de otimismo, especialmente quando a mesma equipe que apresenta o projeto é também responsável por validar suas próprias premissas.

Sob a perspectiva de Valdoir Slapak, contar com uma segunda avaliação independente das premissas mais críticas, feita por alguém sem interesse direto na aprovação do projeto, reduz significativamente a chance de vieses passarem despercebidos até o momento em que já não é mais possível corrigir o rumo sem custo relevante.

Empresas que institucionalizam essa segunda avaliação como etapa obrigatória do processo de aprovação, e não como exceção aplicada apenas a projetos considerados arriscados, tendem a tomar decisões estratégicas mais consistentes ao longo do tempo, independentemente de quem apresenta a proposta original.

Aprendendo com os desvios entre premissa e resultado real

Validar premissas antes de investir não elimina completamente o risco de desvio entre o projetado e o realizado, mas comparar sistematicamente os dois depois que o investimento é implementado é o que permite à empresa refinar continuamente sua capacidade de projeção.

Empresas que documentam formalmente esses desvios, identificando quais tipos de premissa costumam ser mais otimistas de forma recorrente, desenvolvem ao longo do tempo uma análise financeira mais precisa, capaz de antecipar ajustes que antes só apareciam depois que o investimento já havia sido realizado.

Transformar cada desvio identificado em aprendizado institucional, em vez de tratá-lo como um erro pontual sem consequência, é o que permite à empresa tomar decisões estratégicas cada vez mais calibradas à sua própria realidade operacional e de mercado.

Em síntese, empresas que sustentam essa disciplina ao longo de vários ciclos de investimento constroem, com o tempo, um repositório interno de premissas testadas que reduz a dependência de convicção pessoal e fortalece a qualidade das decisões estratégicas futuras. 

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