Como refere o Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, uma parte significativa das decisões em mamografia ocorre numa zona intermédia, em que o achado não é claramente suspeito, mas também não permite uma conclusão definitiva imediata. Nestes cenários, a conduta mais segura nem sempre passa por agir de forma invasiva, mas sim por utilizar o tempo como ferramenta diagnóstica, com vigilância orientada e critérios bem definidos. Esta lógica protege a doente tanto do risco real como do excesso de intervenções desnecessárias, preservando o equilíbrio entre prudência e precisão.
O desafio está em compreender que “aguardar” não significa negligenciar. Pelo contrário, trata-se de uma decisão técnica que exige método, comunicação clara e compromisso com a continuidade, evitando que a incerteza se transforme em ansiedade prolongada ou em ações precipitadas que pouco acrescentam aos cuidados.
O que caracteriza um achado provável no rastreio
Achados classificados como provavelmente benignos apresentam, regra geral, características imagiológicas específicas, como margens regulares, distribuição compatível com padrões conhecidos e ausência de sinais associados de agressividade. Em geral, não surgem de forma abrupta nem se acompanham de alterações clínicas relevantes, o que permite uma abordagem mais conservadora sem comprometer a segurança.

Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues salienta que esta categoria existe precisamente para separar situações que exigem vigilância estruturada daquelas que requerem investigação imediata. Quando bem aplicada, reduz biópsias desnecessárias, diminui o impacto emocional do rastreio e mantém o foco na deteção precoce, desde que o acompanhamento seja realizado de acordo com o plano estabelecido.
O tempo como instrumento diagnóstico e não como adiamento
Utilizar o tempo de forma estratégica implica definir intervalos claros de reavaliação e critérios objetivos para mudança de conduta. A observação controlada permite verificar se um achado se mantém estável, regride ou apresenta sinais de progressão. Muitas vezes, esta evolução temporal fornece informações mais sólidas do que uma intervenção precoce baseada numa dúvida inicial.
O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues analisa que o problema surge quando o tempo é utilizado sem estrutura, sem data definida ou sem explicação adequada. Nesses casos, a doente pode interpretar a conduta como incerteza ou desinteresse. Quando o plano é bem comunicado, com prazos e objetivos claros, o acompanhamento passa a ser entendido como cuidado ativo e não como espera passiva.
Quando a vigilância orientada é mais segura do que a intervenção imediata
Em determinados contextos, antecipar procedimentos invasivos pode gerar mais riscos do que benefícios, sobretudo quando a probabilidade de benignidade é elevada. A vigilância orientada preserva tecido, reduz impactos físicos e emocionais e evita efeitos secundários desnecessários, desde que seja conduzida com rigor técnico e compromisso com a reavaliação periódica.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues refere que a opção pela observação não exclui a possibilidade de intervenção futura. Pelo contrário, mantém essa possibilidade em aberto, sustentada por dados mais objetivos. Caso o achado apresente qualquer alteração relevante, a conduta pode ser ajustada rapidamente, com maior segurança e menor margem de erro.
Comunicação, continuidade e confiança no processo
A eficácia desta estratégia depende diretamente da comunicação. Explicar por que motivo o achado é considerado provável, o que será observado ao longo do tempo e quais os sinais que justificariam uma mudança de conduta reduz a ansiedade e reforça a adesão ao acompanhamento. Além disso, realizar os exames no mesmo serviço facilita comparações, reduz variações de interpretação e aumenta a fiabilidade das decisões.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues enfatiza que decisões seguras em mamografia raramente se baseiam num único exame isolado. Constroem-se a partir da combinação entre imagem, tempo e contexto clínico. Quando este tripé é respeitado, o rastreio deixa de ser um evento pontual e passa a ser um processo contínuo, capaz de proteger a doente com equilíbrio, evitando tanto o atraso no diagnóstico como o excesso de intervenções motivadas apenas pelo receio.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez