A agricultura regenerativa é o futuro? Veja novos modelos produtivos que estão a transformar o meio rural

Duben Wranph
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João Eustáquio De Almeida Junior analisa se a agricultura regenerativa é o futuro e como novos modelos produtivos estão a transformar o meio rural.

De acordo com João Eustáquio de Almeida Júnior, a agricultura regenerativa tem vindo a ganhar espaço como uma resposta concreta aos desafios produtivos, ambientais e económicos enfrentados pelo sector agrícola. Mais do que uma tendência, representa uma mudança de mentalidade sobre a forma de produzir alimentos de modo eficiente, respeitando os limites do solo, da água e dos ecossistemas. Neste contexto, novos modelos produtivos surgem como alternativas viáveis para quem procura longevidade e equilíbrio no meio rural.

Ao contrário de sistemas baseados apenas na extracção de recursos, a agricultura regenerativa propõe a recuperação activa do ambiente produtivo. O foco deixa de ser apenas a colheita actual e passa a considerar a saúde do sistema como um todo, criando bases sólidas para resultados consistentes ao longo do tempo. Nesta leitura, discutiremos como estes princípios se traduzem em práticas aplicáveis no terreno.

O que caracteriza a agricultura regenerativa na prática?

A agricultura regenerativa caracteriza-se por práticas que procuram restaurar e fortalecer os processos naturais do solo e do ecossistema agrícola, tal como explica João Eustáquio de Almeida Júnior. Vai além da sustentabilidade tradicional, pois não se limita a reduzir impactos negativos, actuando directamente na regeneração das áreas produtivas.

A agricultura regenerativa está a redefinir o meio rural, e João Eustáquio De Almeida Junior apresenta modelos produtivos que apontam novos caminhos para o sector.
A agricultura regenerativa está a redefinir o meio rural, e João Eustáquio De Almeida Junior apresenta modelos produtivos que apontam novos caminhos para o sector.

Na prática, isto envolve estratégias que aumentam a matéria orgânica do solo, estimulam a biodiversidade e melhoram a capacidade de retenção de água. O resultado é um ambiente mais resiliente, capaz de enfrentar períodos de stress climático e de reduzir a dependência de factores de produção externos.

Porque estão os modelos produtivos tradicionais a ser questionados?

Os modelos produtivos convencionais, altamente dependentes de insumos químicos e de operações intensivas, têm demonstrado limitações ao longo dos anos. A degradação do solo, a perda de fertilidade, o aumento dos custos e a instabilidade produtiva são alguns dos problemas enfrentados por produtores que seguem este padrão sem ajustamentos.

Perante este cenário, cresce a procura por sistemas que ofereçam maior equilíbrio entre produtividade e conservação. A agricultura regenerativa surge como resposta a esta necessidade, propondo modelos mais integrados, flexíveis e adaptáveis às realidades locais.

Princípios que sustentam os novos modelos produtivos

Segundo João Eustáquio de Almeida Júnior, os novos modelos produtivos associados à agricultura regenerativa baseiam-se em princípios que orientam as decisões do dia a dia da exploração agrícola. Estes princípios não são regras rígidas, mas orientações que ajudam o produtor a construir um sistema mais eficiente e equilibrado ao longo do tempo.

A adopção destes fundamentos exige observação, planeamento e abertura a mudanças graduais. Em muitos casos, o produtor começa por ajustar práticas já existentes, integrando novas técnicas de forma progressiva e estratégica.

Que práticas estão por detrás da agricultura regenerativa?

Diversas práticas compõem os sistemas regenerativos e podem ser adaptadas de acordo com o tipo de cultura, o clima e o solo. Entre as mais utilizadas, destacam-se:

  • manutenção de cobertura permanente do solo;
  • rotação e diversificação de culturas;
  • integração entre agricultura, pecuária e floresta;
  • redução da mobilização do solo;
  • estímulo à biologia e à vida microbiana;
  • uso racional de factores de produção e produtos fitofarmacêuticos.

Estas práticas actuam de forma conjunta, promovendo a recuperação da estrutura do solo e a melhoria dos ciclos naturais. Com o tempo, como sublinha João Eustáquio de Almeida Júnior, o sistema torna-se mais eficiente, exigindo menos intervenções correctivas e oferecendo maior estabilidade produtiva.

Agricultura regenerativa como estratégia de longo prazo

Por fim, adoptar a agricultura regenerativa não significa abdicar da produtividade, mas repensar a forma como esta é construída ao longo do tempo, como reforça João Eustáquio de Almeida Júnior. Trata-se de uma estratégia de longo prazo, que valoriza o solo como activo central da exploração e reconhece a sua importância para a continuidade do negócio.

Ao integrar novos modelos produtivos, o produtor aumenta a sua capacidade de adaptação às mudanças do mercado e às exigências ambientais. Mais do que uma alternativa, a agricultura regenerativa afirma-se como um caminho possível e cada vez mais necessário para uma agricultura eficiente, responsável e preparada para o futuro.

Autor: Duben Wranph

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