Como refere o empresário Sergio Bento de Araujo, a relação entre mobilidade e organização das cidades vai muito além da infraestrutura viária. O desenho urbano e o comportamento social estão profundamente ligados à forma como o automóvel foi integrado no quotidiano ao longo do século XX, influenciando hábitos, fluxos, relações sociais e até a perceção do tempo e do espaço. Ao priorizar o automóvel como principal meio de deslocação, as cidades passaram a estruturar-se em função da circulação rápida, da expansão territorial e da separação entre habitação, trabalho e lazer.
Continue a leitura e compreenda por que mobilidade, espaço urbano e comportamento social caminham muito mais juntos do que parece.
Como o desenho urbano e o comportamento social se relacionam a partir do uso do automóvel?
O automóvel influenciou o desenho das cidades ao impor uma lógica de expansão horizontal. A necessidade de vias largas, estacionamento e grandes distâncias entre pontos urbanos redefiniu o planeamento, favorecendo bairros periféricos e centros comerciais acessíveis sobretudo de automóvel. Segundo Sergio Bento de Araujo, este padrão reduziu a densidade urbana e aumentou a dependência do transporte individual.

No plano social, o desenho urbano e o comportamento social passaram a refletir uma menor convivência espontânea. Quando as pessoas se deslocam maioritariamente de automóvel, há menos interação nas ruas, menos permanência nos espaços públicos e menor sensação de pertença coletiva. O trajeto passa a ser um intervalo funcional, e não um momento de troca social.
De que forma o automóvel redefine a convivência e o uso dos espaços públicos?
A presença dominante do automóvel transforma a função dos espaços urbanos. Praças, passeios e áreas de convivência perdem muitas vezes protagonismo para avenidas e parques de estacionamento. Com isso, o espaço público deixa de ser um local de permanência e passa a ser apenas um espaço de circulação.
Como salienta o empresário Sergio Bento de Araujo, este cenário afeta o comportamento social ao reduzir encontros informais e a diversidade de usos da cidade. As pessoas passam menos tempo nas ruas, o comércio local perde dinamismo e a vida comunitária enfraquece. A cidade torna-se mais funcional, porém menos relacional.
Por outro lado, iniciativas de requalificação urbana demonstram que a redução do espaço dedicado aos automóveis pode gerar efeitos positivos. Ruas partilhadas, zonas pedonais e projetos de mobilidade ativa estimulam a convivência, aumentam a segurança e fortalecem os laços sociais, mostrando que o comportamento coletivo responde diretamente ao desenho do espaço.
É possível equilibrar mobilidade individual e relações sociais nas cidades?
O desafio atual consiste em conciliar o uso do automóvel com modelos urbanos mais integrados. Isso não significa eliminar o automóvel, mas repensar a sua centralidade no planeamento urbano. Cidades que diversificam os modos de transporte conseguem reduzir impactos negativos sem comprometer a mobilidade.
Investimentos em transporte público eficiente, ciclovias e caminhabilidade ampliam as opções de deslocação e reduzem a dependência do automóvel. De acordo com Sergio Bento de Araujo, essa diversidade favorece as interações sociais, melhora a qualidade de vida e torna a cidade mais inclusiva.
Ao mesmo tempo, políticas urbanas mais conscientes reconhecem que a mobilidade é também um fator social. Quando o planeamento coloca as pessoas antes dos veículos, cria-se um ambiente urbano mais equilibrado, onde deslocação, convivência e bem-estar caminham juntos.
Autor: Duben Wranph