Nos bastidores: como a logística invisível transforma a segurança num sucesso garantido?

Diego Velázquez
6 Min de leitura
Ernesto Kenji Igarashi

Enquanto especialista em segurança institucional e proteção de altas entidades, Ernesto Kenji Igarashi salienta que, quando uma grande operação de segurança decorre com sucesso, ninguém repara nela. As autoridades chegam e partem sem qualquer incidente, o público circula normalmente, o evento realiza-se e fica a sensação de que tudo aconteceu de forma natural. Essa invisibilidade é precisamente o resultado de um trabalho que quase ninguém vê: a logística operacional.

É comum pensar que uma operação de segurança se resume aos profissionais destacados no terreno. No entanto, essa é apenas a parte visível de um sistema muito mais amplo. A maioria das falhas graves não começa no momento do confronto, mas sim dias antes, devido a um pormenor relacionado com abastecimento ou recursos que ninguém considerou relevante.

Para compreender a importância desse detalhe invisível, basta acompanhar uma situação hipotética, semelhante às que se repetem, com diferentes variações, nos bastidores de qualquer grande operação.

O que quase ninguém vê antes do início de uma operação?

Imagine a segurança de um grande evento com a presença de altas entidades. Semanas antes, uma equipa já está a mapear percursos, a definir pontos de apoio, a calcular quantos profissionais serão necessários em cada turno e durante quanto tempo. É igualmente necessário garantir rádios totalmente carregados e em número suficiente, com frequências reservadas. Além disso, é indispensável prever alimentação, água, instalações sanitárias e períodos de descanso para os próprios operacionais, uma vez que o desempenho diminui significativamente quando uma equipa chega ao sexto turno consecutivo exausta ou desidratada.

O que é a logística operacional em segurança?

Trata-se do planeamento e da gestão de todos os recursos que sustentam uma operação, desde o transporte e os sistemas de comunicação até ao abastecimento, à rotação das equipas e ao apoio logístico no terreno, assegurando que cada profissional dispõe dos meios necessários, no local certo e no momento certo.

Ernesto Kenji Igarashi observa que nenhum destes elementos aparece nas imagens da operação. No entanto, cada um representa uma peça essencial e, se faltar apenas uma delas, todo o sistema pode comprometer-se. É esta preparação que distingue um plano que existe apenas no papel de um plano capaz de resistir ao primeiro imprevisto.

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Quando a logística falha, a segurança falha com ela

Voltemos ao cenário hipotético e retiremos apenas um elemento: as baterias suplentes dos rádios não foram disponibilizadas. No papel, o plano de comunicações era irrepreensível. No terreno, quatro horas após o início da operação, metade da equipa deixa de conseguir comunicar. Um alerta que deveria chegar em poucos segundos passa a depender de alguém que tenha de se deslocar fisicamente até outro posto. A operação não falhou por falta de estratégia de segurança, mas sim devido a uma falha logística.

É desta forma que ocorre a maioria dos colapsos: não por um erro dramático de avaliação, mas porque uma pequena peça do sistema de apoio foi considerada secundária. Neste contexto, o especialista em segurança institucional e proteção de altas entidades, Ernesto Kenji Igarashi, considera que o adversário raramente supera um dispositivo de segurança pela força. Na maioria das vezes, aproveita uma vulnerabilidade, e essa vulnerabilidade encontra-se frequentemente num detalhe que foi desvalorizado.

O planeamento silencioso que sustenta a aparente normalidade

Todas as grandes operações bem-sucedidas assentam num conjunto de pequenas decisões tomadas antecipadamente. Onde ficará o ponto de reabastecimento? Quem substitui quem durante a rotação das equipas? Quantos rádios de reserva existem caso três deixem de funcionar? Que percurso será utilizado numa evacuação se a rota principal ficar bloqueada? É este trabalho discreto, realizado muito antes do evento, que permite que tudo decorra com tranquilidade.

Ernesto Kenji Igarashi destaca este planeamento antecipado como a verdadeira linha da frente invisível de qualquer operação. Quando é executado com rigor, o trabalho no terreno transforma-se quase num anticlímax. E é precisamente essa sensação de que nada de extraordinário aconteceu que representa o maior sucesso de toda a logística operacional.

O detalhe invisível só permanece invisível enquanto não faz falta

A ironia da logística operacional é que apenas recebe reconhecimento quando falha. Enquanto tudo funciona, ninguém pensa nas baterias, na água, no combustível ou no turno adicional que foi antecipadamente planeado. Trata-se de um trabalho condenado ao anonimato quando é bem executado e rapidamente responsabilizado quando é negligenciado.

Ernesto Kenji Igarashi conclui que talvez esta seja a principal característica das operações verdadeiramente eficazes: por trás de cada momento em que nada aconteceu, existiu alguém que passou dias a garantir, de forma silenciosa, que nada tivesse de acontecer.

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