Sismos na Venezuela fazem mortos e desaparecidos portugueses: o que está Portugal a fazer para ajudar?

Diego Velázquez
8 Min de leitura

Governo envia equipa de 53 profissionais de emergência médica e salvamento após terramotos que já mataram mais de duzentas pessoas.

Os dois fortes sismos que atingiram a Venezuela na quarta-feira deixaram a comunidade portuguesa em alerta e o Governo português a mobilizar uma resposta de emergência. Com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, registados com apenas 39 segundos de intervalo, os terramotos provocaram destruição numa área que vai da capital Caracas até à costa de La Guaira, deixando milhares de desalojados e centenas de pessoas ainda sob os escombros. Entre as vítimas mortais confirmadas estão também cidadãos portugueses e lusodescendentes, o que levou Lisboa a acelerar o envio de ajuda humanitária para o país sul-americano.

Muitos portugueses com família ou amigos na Venezuela ficaram, nos últimos dias, com a mesma dúvida: que apoio está realmente a chegar e como podem as famílias em Portugal obter informações sobre os seus parentes desaparecidos? O balanço de vítimas tem aumentado de forma constante desde a noite de quarta-feira, e as autoridades venezuelanas já admitem que os números finais podem ser muito superiores aos atuais. Compreender a dimensão da catástrofe e a resposta organizada por Portugal ajuda a clarificar o que está a ser feito neste momento e onde procurar apoio.

A dimensão da tragédia e as vítimas portuguesas

O número de mortos na Venezuela tem subido a cada novo balanço oficial. De acordo com o mais recente relato da Rádio Observador, citando o Ministro da Saúde venezuelano, o número de mortos subiu para 235 e o de feridos para 4.300, sendo que entre as vítimas mortais há quatro portugueses e dois lusodescendentes, além de pelo menos 56 lusodescendentes ainda dados como desaparecidos. O estado de La Guaira, na costa caribenha, continua a ser a região mais afetada pelos dois sismos, segundo a mesma fonte. Os números têm variado ligeiramente entre balanços sucessivos, refletindo a dificuldade das autoridades em confirmar identidades em pleno decurso das operações de resgate, mas a tendência é de agravamento constante desde a noite de quarta-feira. Observador

A magnitude da destruição levou especialistas portugueses a comentar o fenómeno. João Duarte, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e investigador do Instituto Dom Luís, explicou à Rádio Observador que um sismo acima de magnitude 6,7 já pode provocar danos significativos, e que, neste caso, a falha geológica se localizava mesmo por baixo da cidade afetada e a pouca profundidade, o que ajuda a explicar o elevado nível de destruição. O investigador comparou ainda a situação com o sismo de magnitude 7,9 registado em Portugal em 1969, que teve impacto muito menor por ter ocorrido no fundo do mar, a cerca de 300 quilómetros da costa. Mais de cem réplicas já foram sentidas desde os sismos iniciais, segundo as autoridades venezuelanas, mantendo a tensão entre quem continua à procura de familiares desaparecidos. Observador

A resposta do Governo português e a ajuda internacional

Face à gravidade da situação, o Governo português decidiu enviar uma força de emergência composta por profissionais de saúde e equipas de busca e salvamento. Segundo informação avançada pelo Observador, Portugal vai enviar uma equipa de 53 profissionais de emergência médica e salvamento para a Venezuela, numa operação semelhante à que o país realizou anteriormente na Turquia, após o sismo que atingiu aquele país. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, confirmou que o Ministério recebeu vários pedidos de cidadãos a solicitar apoio para localizar familiares incontactáveis na Venezuela, e garantiu que o esforço de envio de ajuda está a ser coordenado com outros países europeus. Observador

O primeiro-ministro Luís Montenegro também se manifestou publicamente sobre a tragédia, escrevendo nas redes sociais que a força dos sismos une “todos em volta de um país a que muitos portugueses chamam casa”, uma referência à forte comunidade lusa residente na Venezuela. O Presidente da República, António José Seguro, encontrava-se em Miami quando soube da tragédia e garantiu, segundo o Correio da Manhã, que o apoio português está a ser preparado para chegar “o mais rápido possível”, lamentando a morte de portugueses e lusodescendentes e deixando uma mensagem de solidariedade às famílias enlutadas. A nível internacional, a resposta tem sido igualmente intensa: os Estados Unidos anunciaram 150 milhões de dólares em ajuda humanitária, o Brasil enviou equipas de resgate e equipamento através de um avião militar, e países como Espanha, Itália e a República Checa também disponibilizaram equipas de socorro, num esforço coordenado pela União Europeia através do Mecanismo de Proteção Civil.

O que fazer se tiver familiares afetados pelos sismos

Para as famílias portuguesas que ainda não conseguiram contactar parentes na Venezuela, o Ministério dos Negócios Estrangeiros tem funcionado como ponto central de apoio, reunindo informação sobre cidadãos nacionais e lusodescendentes desaparecidos. As autoridades venezuelanas criaram também uma plataforma para ajudar na localização de pessoas desaparecidas, que já reunia milhares de registos nos primeiros dias após a catástrofe. A comunidade madeirense tem ainda um canal de apoio através da associação Venecom, que está a acompanhar a situação e a preparar a recolha de bens para enviar às vítimas, segundo informação avançada pela TSF.

Quem tiver informações sobre familiares desaparecidos ou precisar de apoio consular pode contactar diretamente o Ministério dos Negócios Estrangeiros através dos canais oficiais disponíveis no site da instituição. A Conferência Episcopal Portuguesa também manifestou estar a acompanhar a situação, e várias instituições religiosas e comunitárias têm servido de ponto de encontro para troca de informações entre famílias com ligações à Venezuela. Nos próximos dias, à medida que as equipas de resgate portuguesas e internacionais avancem no terreno, é provável que o número de vítimas confirmadas e de desaparecidos continue a sofrer alterações, pelo que as autoridades recomendam acompanhar os canais oficiais para obter informação atualizada e evitar a circulação de dados não confirmados.

A tragédia que atingiu a Venezuela esta semana voltou a colocar em evidência a forte ligação histórica entre Portugal e a comunidade lusa espalhada pela América Latina. Com equipas de resgate já no terreno e uma resposta diplomática ativa, o foco nos próximos dias estará em confirmar o paradeiro dos desaparecidos e em garantir que a ajuda humanitária chega às zonas mais afetadas. Para as famílias portuguesas com ligações à Venezuela, a recomendação das autoridades mantém-se a mesma: procurar os canais oficiais de informação e evitar, nesta fase, dados não confirmados que possam gerar alarme desnecessário.

Fontes consultadas:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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