Arrendamento volta a encarecer em Portugal e preço médio atinge 15,55 euros por metro quadrado

Ida Valdsen
9 Min de leitura

Mercado de arrendamento mantém tendência de subida em Portugal, com Lisboa a continuar como a região mais cara e diferenças significativas entre o litoral, as ilhas e o interior do país.

O mercado de arrendamento em Portugal voltou a registar uma subida dos preços durante o mês de julho de 2026. O valor médio anunciado atingiu os 15,55 euros por metro quadrado, representando um aumento de 1,2% face ao mês anterior, segundo dados do Infocasa divulgados esta quinta-feira, 27 de agosto. Em comparação com abril, a subida chega aos 3%, enquanto em termos homólogos, face a julho de 2025, o aumento é de 3,7%. (Casa Sapo)

Os números reforçam uma tendência de crescimento que se tem verificado nos últimos meses. Em março, o preço médio encontrava-se nos 15,04 euros por metro quadrado, tendo aumentado durante quatro meses consecutivos até atingir o valor registado em julho. A evolução mostra que encontrar uma casa para arrendar continua a representar um desafio para muitos agregados familiares, sobretudo nas zonas onde existe maior procura de habitação. (Casa Sapo)

Lisboa continua a ser a região mais cara para arrendar casa

Lisboa mantém-se no topo das regiões mais caras do país para quem procura uma casa no mercado de arrendamento. Em julho, o valor médio chegou aos 19,56 euros por metro quadrado, depois de uma subida mensal de 1,6%. Quando comparado com o mesmo período do ano anterior, o aumento foi de 1,9%. (Casa Sapo)

A diferença significa que um imóvel com 80 metros quadrados, tomando apenas este valor médio como referência, corresponderia a cerca de 1.565 euros mensais. O cálculo é meramente indicativo, uma vez que as rendas efetivamente anunciadas dependem da localização concreta, estado do imóvel, tipologia e outras características da habitação.

Logo depois de Lisboa surge a Madeira, onde o valor médio se situou nos 16,25 euros por metro quadrado, mantendo-se estável face a junho. O Algarve apresentou um valor médio de 15,90 euros por metro quadrado, correspondendo a um crescimento mensal de 1,2% e a um aumento de 4,3% no espaço de três meses. (Casa Sapo)

Porto também regista aumento das rendas

No Porto, o mercado também registou uma evolução em alta. O preço médio atingiu os 14,28 euros por metro quadrado, depois de aumentar 1,7% num mês. Apesar de permanecer abaixo dos valores encontrados em Lisboa, Madeira e Algarve, o crescimento mostra que a pressão sobre o arrendamento não está limitada à capital. (Casa Sapo)

A evolução dos preços torna-se particularmente relevante para trabalhadores, estudantes e famílias que dependem do mercado de arrendamento. Dados separados do Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes às rendas efetivamente pagas pelos inquilinos, também mostraram pressão: em julho, o valor médio por metro quadrado aumentou 5,3% em termos homólogos e 0,4% relativamente ao mês anterior. Este indicador não deve ser confundido com os preços de oferta do Infocasa, mas ajuda a enquadrar a tendência geral do mercado. (Idealista)

Bragança apresenta a maior subida mensal

Entre as diferentes zonas analisadas pelo Infocasa, Bragança destacou-se pela maior valorização mensal, com uma subida de 10%. O preço médio passou para 7,56 euros por metro quadrado. Apesar deste crescimento expressivo, a região continua a apresentar valores bastante inferiores aos registados nos principais mercados imobiliários do litoral. (Casa Sapo)

São Miguel apresentou a segunda maior subida, com um aumento mensal de 6,9%, passando para 11,65 euros por metro quadrado. Évora registou uma valorização de 6,3%, alcançando os 10,71 euros por metro quadrado, enquanto Coimbra apresentou uma subida de 4,5%, para 10,45 euros por metro quadrado. (Casa Sapo)

As diferenças mostram que o crescimento do mercado não acontece ao mesmo ritmo em todo o território. Em determinadas localidades, pequenas alterações na quantidade de casas disponíveis para arrendamento ou na procura podem provocar oscilações percentuais bastante superiores às observadas nas grandes regiões metropolitanas.

Algumas regiões registam descidas nos preços

Apesar da tendência nacional de crescimento, nem todas as zonas analisadas apresentaram aumentos. Santarém registou a maior descida mensal, com uma redução de 2,7%, deixando o valor médio nos 8,69 euros por metro quadrado. Vila Real apresentou uma queda de 2%, enquanto Leiria e Viseu registaram descidas de 1,5%. (Casa Sapo)

Vila Real encontra-se, entre as zonas destacadas pelos dados divulgados, com um dos valores médios mais baixos, de 7,35 euros por metro quadrado. Seguem-se Castelo Branco, com 7,47 euros, Bragança, com 7,56 euros, Portalegre, com 7,64 euros, e Viseu, com 7,77 euros por metro quadrado. (Casa Sapo)

Esta diferença ajuda a demonstrar a dimensão das desigualdades territoriais existentes no mercado habitacional português. Enquanto determinadas zonas do interior continuam a apresentar valores abaixo dos oito euros por metro quadrado, Lisboa aproxima-se dos 20 euros, criando realidades bastante distintas para quem procura habitação no país.

Pressão sobre a habitação continua em Portugal

A subida dos preços anunciados acontece num contexto em que a habitação continua a ocupar um lugar central nas preocupações das famílias portuguesas. Os dados mais recentes relativos às rendas pagas mostram igualmente uma trajetória ascendente, com todas as regiões do país a registarem aumentos homólogos em julho, segundo informação baseada nos dados do INE. A Madeira apresentou o crescimento homólogo mais elevado neste indicador, de 7%. (Idealista)

Ao mesmo tempo, os dados do Infocasa revelam que o comportamento dos preços pode variar consideravelmente entre regiões. O aumento médio nacional de 1,2% em julho esconde subidas muito mais fortes em determinadas localidades e descidas noutras, reforçando a importância de analisar o mercado de forma regional e não apenas através da média nacional. (Casa Sapo)

Para quem procura casa, a localização continua, assim, a ser um dos principais fatores na definição do orçamento necessário. Lisboa permanece claramente acima da média nacional, enquanto várias regiões do interior continuam a apresentar valores substancialmente mais baixos. Ainda assim, aumentos como o registado em Bragança demonstram que as alterações no mercado também estão a chegar a territórios tradicionalmente mais acessíveis.

Mercado entra na segunda metade do ano com preços em alta

Os números de julho colocam o mercado de arrendamento português numa trajetória de crescimento na entrada da segunda metade de 2026. Depois de quatro meses consecutivos de subida desde março, o preço médio anunciado de 15,55 euros por metro quadrado representa o valor mais elevado do período analisado pelo Infocasa. (Casa Sapo)

A evolução dos próximos meses será importante para perceber se esta tendência se mantém ou se o mercado começa a apresentar sinais mais consistentes de estabilização. Para já, os dados mostram um cenário marcado por fortes diferenças regionais, com Lisboa a manter a liderança entre os mercados mais caros e várias zonas do interior ainda a oferecer valores consideravelmente inferiores à média nacional.

Fonte: CASA SAPO — Arrendamento em Portugal volta a ficar mais caro ·

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