O cantor e compositor sofreu uma paragem cardiorrespiratória na noite de segunda-feira. O velório juntou músicos, políticos e anónimos, e o cortejo fúnebre sai esta quinta-feira rumo ao cemitério do Alto de São João
Família anunciou a morte nas redes sociais
O músico morreu na noite de segunda-feira, dia 21 de setembro, vítima de paragem cardiorrespiratória, aos 76 anos. A notícia foi dada pela família e pela agência do artista, que anunciou a morte na terça-feira, através de uma mensagem partilhada nas redes sociais. Desde então, a imprensa nacional, os colegas de profissão e milhares de fãs têm recordado um dos nomes mais marcantes da canção portuguesa das últimas cinco décadas. FlashCorreio da Manhã
Na mesma mensagem, a família sublinha que Jorge Palma, com mais de meio século de carreira, “deixa uma obra assinalável que faz parte da história” portuguesa, e lembra também os muitos amigos que conquistou pelo mundo graças à sua generosidade. O tom da despedida acompanhou o de toda uma vida pública, marcada pela proximidade com o público e por canções que passaram de geração em geração. CNN Portugal
A mulher, Rita Tomé, os filhos, Vicente e Francisco Palma, e os managers, André Sebastião e Tiago Branco, pediram que o músico seja lembrado pelas suas canções e palavras, agradecendo a amizade demonstrada ao longo dos anos. As reações chegaram também do topo do Estado: o primeiro-ministro Luís Montenegro reagiu à morte, destacando a voz única do artista, e, segundo o Correio da Manhã, canções como “Bairro do Amor” e “Frágil” ouviram-se em Belém em homenagem ao músico. Morreu Jorge Palma, um marco da música portuguesa contemporânea – Cultura – Correio da Manhã +2
Velório aberto a todos e cremação reservada à família
Para permitir uma despedida alargada, a família organizou cerimónias públicas em Lisboa. O velório decorreu esta quarta-feira, dia 23, na Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário, entre as 15:00 e as 22:00, para que todos se pudessem despedir e prestar uma última homenagem. Ao longo de sete horas, a sala recebeu uma fila constante de admiradores, muitos deles de flores na mão. Diarioleiria
Já esta quinta-feira, 24 de setembro, realiza-se o funeral. A saída da Voz do Operário está marcada para as 15h00, seguindo depois para o cemitério do Alto de São João, em Lisboa, e a cremação será realizada em privado, com a presença limitada à família e aos amigos próximos. A opção por um último momento reservado contrasta com o velório aberto, pensado precisamente para quem acompanhou o músico em palco durante décadas. RFM
Os pormenores da sala ajudaram a contar a história do homenageado. Houve quem chegasse ao velório com cravos vermelhos, as mesmas flores que formavam uma das coroas que ladeavam o caixão, enquanto a outra coroa era de rosas vermelhas, a flor preferida de Jorge Palma. Sobre a urna foi colocado um retrato a preto e branco e, no palco do salão, estava uma imagem do músico ao piano, usada na promoção dos espetáculos dedicados ao álbum “Só”. RenascençaRenascença
A equipa que trabalhou com o cantor também marcou presença de forma simbólica. Elementos da equipa de Jorge Palma vestiram camisolas pretas da digressão de celebração dos 50 anos de carreira, de 2024, com a palavra “Antologia”, num gesto que lembrou a longa estrada percorrida com técnicos, músicos e produtores ao longo dos anos. Renascença
Músicos e políticos na última homenagem
A despedida reuniu várias gerações da música portuguesa. Entre os presentes estiveram Carminho, Vitorino, Sérgio Godinho e João Gil, que não esconderam a tristeza por ver partir um colega e, para muitos, um amigo. Paulo Gonzo, Olavo Bilac, Selma Uamusse e Camané também passaram pela sala, tal como vários “invisíveis” do meio, entre técnicos de palco, de som, roadies e managers. FlashRenascença
A política esteve igualmente representada. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, esteve presente, bem como Marcelo Rebelo de Sousa, que, em novembro de 2020, condecorou Jorge Palma como Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Entre os presentes contaram-se ainda José Manuel Pureza, Fabien Figueiredo e Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda. Emoção e lágrimas. A despedida emotiva ao cantor Jorge Palma na Voz do Operário – Nacional – FLASH! +2
Nos dias que se seguiram à morte, surgiram também relatos sobre os últimos meses do cantor. De acordo com o Correio da Manhã, Rui Veloso revelou que Jorge Palma recusou tratamento agressivo para poder continuar a cantar, uma decisão que muitos fãs leram como coerente com a forma como o músico sempre encarou o palco. Correio da Manhã
Cinco décadas a escrever canções em português
Jorge Palma nasceu em Lisboa a 4 de junho de 1950 e começou a estudar piano ainda criança, no Conservatório Nacional. Começou aos seis anos a ter aulas de música e ingressou no Conservatório de Música de Lisboa aos 10, mas cedo trocou a formação clássica pelo rock, o caminho que acabaria por definir a sua identidade artística. Correio da ManhãObservador
Antes de se apresentar em nome próprio, fez parte do grupo Sindicato, que tocou na primeira edição do festival de Vilar de Mouros, em 1971, e dos Black Boys. Convocado para o serviço militar, decidiu abandonar o país e instalou-se na Dinamarca, regressando a Portugal em 1974, após o 25 de Abril, para trabalhar como orquestrador; no ano seguinte editou o primeiro álbum, “Como uma viagem na palma da mão”. CNN PortugalCNN Portugal
Na década de 1980, de volta a Lisboa, retomou os estudos de piano no conservatório, que terminou em 1990, e logo a seguir gravou “Só”, editado em 1991, a primeira coletânea de carreira, na qual revisita apenas ao piano canções das duas décadas anteriores. Nos anos 90 avançou com o Palma’s Gang, banda com Zé Pedro e Kalu, dos Xutos & Pontapés, e Flak e Alex Cortez, dos Rádio Macau. Mais tarde, “Voo Nocturno” (2007) tornou-se o disco mais vendido da sua carreira, com triplo disco de platina. Morreu Jorge Palma aos 76 anos | MAISFUTEBOL +2
O reconhecimento acompanhou o percurso. Venceu o Prémio José Afonso em 2002 e a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores, em 2012, com o álbum “Com todo o respeito”; em 2020 recebeu a medalha de mérito cultural da Câmara Municipal de Lisboa e, em abril deste ano, o Prémio Carreira dos 8.º PLAY, Prémios da Música Portuguesa. Nos últimos anos, subiu ao palco com os filhos Vicente e Francisco Palma no espetáculo “3 Palmas na Mão”, um formato a três vozes que junta gerações e repertórios da família. RTPCorreio da Manhã
Fontes:
- Observador: Morreu Jorge Palma, cantor e compositor tinha 76 anos
- RTP: Morreu o músico Jorge Palma aos 76 anos
- CNN Portugal: Morreu Jorge Palma
- Correio da Manhã: Morreu Jorge Palma, um marco da música portuguesa contemporânea
- Correio da Manhã: Emoção e dor no adeus a Jorge Palma
- JN: Partiu Jorge Palma, o músico que fez da vida matéria para canções
- Maisfutebol: Morreu Jorge Palma aos 76 anos
- Diário de Leiria: Velório aberto a todos e funeral restrito aos mais próximos
- RFM: Último adeus a Jorge Palma
- Renascença: Velório de Jorge Palma juntou figuras públicas e anónimos
- Flash!: A despedida ao cantor Jorge Palma na Voz do Operário